quarta-feira, 21 de novembro de 2012

O balanço da Operação Trairi Limpo III que levou para a cadeia a prefeita local

O Ministério Público do Estado do Ceará finalizou na tarde desta terça-feira (20) a operação Trairi Limpo III, que teve o objetivo de apurar crimes de quadrilha ou bando, corrupção eleitoral e transporte irregular de eleitores no município de Trairi. Os 12 mandados de prisão temporária, expedidos pelo juiz Eleitoral Fernando Teles de Paula Lima, foram efetivados com sucesso. Também foram apreendidos cheques, agendas e recibos dos acusados. A operação foi realizada pelos promotores de Justiça Igor Pereira Pinheiro, André Clark Nunes Cavalcante, Luiz Alcântara Costa e Eloilson Augusto Landim, em coordenação com a Polícia Federal e a Procuradoria Regional Eleitoral do Ceará (procurador da República Márcio Andrade Torres). 
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OS ACUSADOS

Os acusados foram levados ao Presídio de Trairi. São eles: Regina Nara Batista Porto, candidata eleita ao cargo de prefeita municipal de Trairi/CE pelo PSDB (foto); José Ademar Barroso, candidato eleito para o cargo de vice-prefeito municipal de Trairi/CE pelo PSL; Henrique Mauro de Azevedo Porto (pai da prefeita eleita); Regina Alves de Castro; Henrique Mauro de Azevedo Porto Filho, vereador de Trairi e candidato eleito para o mesmo cargo pelo PSD; Pedro Moreira Neto; Carlos Gustavo Monteiro Moreira, eleito para o cargo de vereador de Trairi/CE pelo DEM; José Soares de Sousa, candidato ao cargo de vereador pelo PSDB; o motorista Adaílton do Canaã; Erasmo Izaías da Costa; “Toinha”; e “Nazareno”. Os acusados devem ficar presos por cinco dias, podendo ser prorrogado por mais cinco. A partir de amanhã os acusados começam a ser ouvidos.

Na tarde desta terça-feira, foram realizadas oitivas com alguns eleitores corrompidos pela quadrilha. Três eleitores confirmaram ter recebido de Regina Nara e José Ademar a promessa de benefícios em troca de votos. Vale destacar que essa é a segunda ação realizada no Trairi por crime eleitoral, atingindo tanto os gestores públicos da situação quanto da oposição. 

O MP acredita que a operação Trairi Limpo III tem um caráter pedagógico, visto que é rara a prisão por compra de votos e outras irregularidades eleitorais de gestores públicos que nem sequer tomaram posse. Dessa forma, a Instituição acredita que a punição exemplar desse caso é um marco no combate a práticas que, embora “naturalizadas” no processo eleitoral, caracterizam crime e são extremamente danosas para a sociedade.  

ENTENDA AGORA O CASO

A iniciativa da investigação deu-se após a constatação do conteúdo criminoso de algumas conversas telefônicas interceptadas judicialmente no telefone do então candidato (ora eleito) a Vice-Prefeito da Coligação “Trairi Nossa Terra Nossa Gente” (José Ademar Barroso), que à época demonstravam claramente já estar o mesmo, mediante associação delituosa estável (quadrilha) de fins políticos com alguns integrantes da “Coligação Trairi Nossa Terra Nossa Gente”, praticando corrupção eleitoral de forma sucessiva, chegando, inclusive, a ser relatado um “loteamento” prévio da Prefeitura Municipal de Trairi (com a expressa chancela da candidata eleita Nara Batista Porto).


Os áudios captados pela Polícia Federal, bem como as investigações preliminares revelaram a atuação articulada da quadrilha para a prática de fatos criminosos em quatro núcleos, quais sejam: Corrupção Eleitoral de execução sucessiva e reiterada, como a entrega de dinheiro, promessa de vantagens pessoais e materiais, tais como pagamento de poços profundos, material de construção, vale combustíveis, aquisição de remédios, empregos na futura gestão municipal, certidão de nascimento, transporte de pessoas, etc.

Outro braço atuava no transporte ilegal de eleitores nos dias que antecederam e sucederam o pleito municipal, com a expressa menção de “carradas de gente” na véspera do pleito e cobranças dos eleitores corrompidos acerca das promessas das passagens de ônibus, dinheiro para o combustível, etc. O grupo tinha outro tentáculo voltado para o “loteamento” ilícito da Prefeitura Municipal de Trairi, antes e depois das eleições de 2012, bem como anúncio, promessa e venda de votos para a eleição da mesa diretora da Câmara Municipal em 2013, com a explícita referência sobre a setorização das áreas que alguns membros possuiriam na futura gestão municipal.

Além disso, havia o “merecimento” de Gustavo Monteiro Moreira em ocupar a Presidência da Câmara Municipal de Trairi na próxima legislatura, haja vista seu tio (Pedro Neto) ter sido apontado pelo chefe da quadrilha (Henrique Mauro de Azevedo Porto) como o “mestre” que “ajudou” todos do grupo, que “saiam com dinheiro no saquinho”.

Também está em andamento uma investigação de furto, na sede da Delegacia de Polícia local, de provas materiais (dinheiro enrolado em ligas) referentes à prática de corrupção eleitoral apreendidas com José Ademar Barroso na véspera do pleito, fato este confessado por um servidor público municipal assumidamente eleitor dos candidatos representados.
 Fonte: ASCOM.

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